Os moradores da Centralidade do Kilamba alegam que o não pagamento das dívidas das moradias é devido a falta de organização do Fundo de Fomento Habitacional (FFH).
Segundo os moradores, ouvidos pelo KILAMBA 24 HORAS, o “problema está com o FFH e não com o arrendatário porque este ao celebrar o contrato assinou uma ordem de autorização de descontos com o seu banco, com conhecimento do FFH. Agora é trabalho deles estar alinhado com os bancos e fazer os descontos dos seus arrendatários e não como o fundo faz, que é esperar que o morador leve o comprovativo ou extracto bancário”, disse um morador da Centralidade do Kilamba.
Já Armindo Vaz, jurista e também morador da Centralidade, frisa que “judicialmente o Fundo perde a razão”, enquanto que Marta Fiz diz que “um dia fui ao Fundo resolver problemas do meu prédio, na qualidade de cooordenador e tive a notícia que era devedor de mais de 2 anos, o que não correspondia com a verdade”.
“Esse anúncio sobre o pagamento ou não pagamento na Centralidade do Kilamba é um falso problema. Para existir pagamento regular ao Estado, o Fundo tem de estar suficientemente organizado para que os pagamentos se façam sem necessidade de interferência ou cobrança”, disse um morador que preferiu o anonimato.
“Muito de nós, ao aceder às casas, celebramos contratos e com a indicação do domicílio salarial, agora, se os descontos não são feitos, a culpa não pode ser atribuída aos moradores”, disse aos nossos jronalistas Júlia Canhema.
Em entrevista a nossa redacção, o FFH revelou que uma campanha para a recuperação de rendas resolúveis nas centralidades do Kilamba e Sequele, em Luanda, vai ser lançada nos próximos meses, devido às dívidas elevadas dos moradores, na ordem dos 65 por cento.
“Temos dois problemas críticos que tem a ver com as centralidades do Kilamba e Sequele: São as mais críticas para nós em termos de inadimplência”, lamentou o gestor.
Face à situação, o Fundo, disse a fonte, está a preparar os sistemas e as condições para iniciarem, numa primeira fase, com os processos de sensibilização dos moradores.
Passada à fase de sensibilização, o FFH vai avançar para um processo mais coercivo, sem, no entanto, referir-se sobre a possibilidade de despejos.
“Já temos o aval dos ministros das Finanças e das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação para iniciarmos com a campanha de recuperação do crédito”, afirmou o gestor.
