Vários músicos kuduristas receberam, este sábado, em Luanda, lotes para a auto-construção dirigida, no município de Belas, numa zona localizada a menos de dois quilómetros da Centralidade do Kilamba.
De acordo com o administrador do município de Belas, a iniciativa parte do compromisso do Estado em resolver o problema da habitação, por considerar que a falta de condições condignas é uma das características da pobreza.
Miguel de Almeida referiu que a Administração apenas está a cumprir com as recomendações do Presidente da República que visam combater a pobreza.
A nível do município de Belas, disse, estão a ser cedidos lotes de 15 metros por 20, para a auto-construção dirigida. “Neste momento, mais de duas mil famílias já foram contempladas, incluindo a inserção de kuduristas no projecto”.
O administrador de Belas explicou que com a distribuição dos lotes, as pessoas têm a oportunidade, por via do seu trabalho ou da relação com bancos, erguer a sua residência e viver condignamente.
Além dos kuduristas, referiu, o projecto contempla, também, famílias em situação de vulnerabilidade, bem como outros fazedores de arte e efectivos da Polícia Nacional.
Garantiu que os lotes estão a ser distribuídos em zonas onde existem condições básicas, como água e energia.
Para o crescimento do projecto, realçou que tudo vai depender das condições financeiras da Administração de Belas e de outras estruturas, para garantir serviços e equipamentos sociais básicos.
Em relação ao acesso à Vila dos Kuduristas, apontou que está a ser feito um trabalho na malha rodoviária do Distrito e posteriormente propor ao Governo da Província a colocação de asfalto. “Estamos a trabalhar para que a população não construa de forma desordenada, por isso, a Administração está a organizar lotes para o efeito. Os espaços estão a ser entregues com direito de superfície, para que as pessoas construam à vontade, de acordo com o padrão específico, com uma tipologia inicial de T3”.
Crescimento populacional
O administrador de Belas disse que, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o município tem cerca de 600 mil habitantes, mas anunciou que o fluxo migratório tem crescido nos últimos tempos e pode chegar a quase um milhão de pessoas.
Miguel de Almeida apontou que a principal dificuldade que o município de Belas enfrenta é a escassez de água, com excepção ao Distrito do Kilamba.
Realçou que a falta de água é um problema que não depende apenas da Administração, porque tem poucos recursos, é preciso maior intervenção do Ministério da Energia e Águas.
Revelou que a distribuição de energia teve um grande progresso, porque foi estendida a rede de média tensão em quase 80 por cento do município. Agora, precisa-se fazer investimentos em postes de transformação e distribuição, apesar de já existirem bairros a consumir energia de qualidade.
No que concerne à Educação, o administrador garantiu que o município aproveitou bem os projectos do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIMI), acrescentando que, até 2021, cerca de dez mil crianças estavam fora do sistema de ensino, mas, com a construção de mais 14 escolas, esse número diminuiu significativamente.
“Penso que o Estado não deve ser o único responsável destes encargos. Estamos a procurar mecanismos para incentivar o sector privado a investir em infra-estruturas sociais”, alertou.
O sector da Saúde, disse, ainda apresenta dificuldades. O município não tem hospital de referência. O próprio Distrito do Kilamba tem apenas um centro adaptado, disse acreditar que, com a construção do Hospital dos Queimados, o quadro possa mudar.
Por via do PIMI, destacou, foram construídos três centros de saúde, sendo um deles doado pelo Fundação Lwini, localizados nas zonas do Morro dos Veados, Vila Verde, Barra do Kwanza, onde está a ser erguido mais um.
Em relação à segurança pública, considera estável. “Há criminalidade no município de Belas, mas o Comando Municipal da Polícia tem sabido dar conta do recado, apesar de serem necessários mais investimentos, para que tenhamos infra-estruturas modernas”.
O administrador garantiu que o município tem todas as condições de crescer de forma organizada, podendo ser auto-sustentado. Apelou aos moradores a estarem mais unidos, para que Belas seja um melhor espaço para se viver.
Kuduristas aplaudem
Kuduristas demonstraram, este sábado, satisfação pela iniciativa do Executivo, em distribuir lotes para a auto-construção dirigida.
Puto Lilas disse que a iniciativa é de louvar, porque vai ajudar a resolver um dos maiores problemas da classe.
O cantor acha que o projecto vai mudar a vida de muitas pessoas e apelou os colegas a acreditarem nele (projecto).
A viver em casa de renda, o músico disse que lhe foi tirado um “peso da cabeça”.
Passing Toloba agradeceu a iniciativa da Administração e apelou aos empresários a abraçarem, também, iniciativas do género.
Em gesto de agradecimento, o kudurista fez uma oração para abençoar a vida dos membros do Executivo, que tudo têm feito para melhorar as condições de vida dos cidadãos.
Actualmente, Passing Toloba reside numa casa de renda, no município do Cazenga, onde paga 25 mil kwanzas por mês.
Dama Choque disse estar sem palavras para agradecer a iniciativa. A jovem vive na renda, no município de Viana, com o esposo, dois filhos e quatro irmãos.
A Dama Diva agradeceu à Administração e enalteceu o gesto, porque considera que a falta de casa é uma das grandes preocupações da classe.
Realçou que é bom saber que os dirigentes se preocupam com a classe, que muito tem feito em prol da cultura angolana.
