A comunidade de Vila Flor, no município do Kilamba, enfrenta uma crise grave que ameaça a segurança e o bem-estar de centenas de residentes. A via principal do bairro foi encerrada de forma abrupta, sem aviso prévio nem comunicação oficial, alegadamente para dar lugar à construção de uma igreja e outros empreendimentos privados. O que era um acesso público vital transformou-se numa área totalmente vedada, deixando moradores isolados e desprotegidos.
O impacto foi imediato e devastador. A interdição da rua impediu a remoção regular de lixo e causou a formação de uma grande lagoa. O ambiente húmido e sujo tornou-se propício ao aparecimento de cobras venenosas, que já invadiram várias residências. Moradores relatam que mais de cinco serpentes foram encontradas dentro das casas nos últimos dias.
“Estamos a viver com medo. As cobras entram nas casas à procura de abrigo. As crianças já não podem brincar fora”, desabafou uma moradora.
“Fecharam a via pública sem explicação. Acordámos com a rua bloqueada e ninguém assume a responsabilidade”, acrescentou outro residente.
A situação agravou-se pela completa ausência de serviços públicos essenciais. Não existe iluminação pública, não há água potável, e a zona não dispõe de serviço de telecomunicações estável, incluindo internet ou televisão por fibra. A falta de energia é tão crítica que, segundo os moradores, empresas privadas instalaram Postos de Transformação (PTs) e passaram a vender energia diretamente aos residentes — uma prática que tem gerado enorme preocupação.
“Aqui não há luz pública, não há água, não há fibra, não há nada do Estado. Quem tem energia paga a empresas privadas que montaram os seus próprios PTs”, afirmou um dos habitantes.
“Um bairro inteiro sem serviços básicos e ainda com a rua principal fechada… isto não é justo”, reforçou outra residente.
Apesar das inúmeras denúncias feitas à administração local e a outros órgãos competentes, os moradores afirmam que não receberam qualquer resposta efetiva até ao momento.
Ainda assim, a comunidade tenta manter a esperança.
“Clamamos pela intervenção do Estado. Acreditamos que o Governo Provincial de Luanda não vai permitir que esta situação continue”, declarou um representante comunitário.
Os residentes de Vila Flor exigem a reabertura imediata da via pública, a restauração das condições de segurança e a implementação urgente dos serviços básicos que garantam dignidade humana. Enquanto isso não acontece, permanecem entre o medo de novos ataques de cobras e a incerteza sobre o futuro.
