Os moradores da Centralidade do Kilamba manifestaram posições ponderadas e críticas em relação ao encerramento das casas de pesagem de material ferroso e não ferroso no município, medida recentemente adoptada pela Administração Municipal no âmbito do combate ao vandalismo de infra-estruturas públicas.
Para muitos munícipes, a decisão do Executivo é necessária e acertada, tendo em conta os elevados prejuízos causados ao Estado pelo furto e comercialização ilegal de materiais provenientes da iluminação pública, redes eléctricas e outros bens do património comum. A protecção dos bens públicos é vista como uma obrigação do Estado e um passo fundamental para garantir serviços essenciais à população.
No entanto, os cidadãos alertam que a medida também revela fragilidades sociais e económicas profundas. Num contexto marcado por desemprego juvenil, pobreza, fome e exclusão social, várias casas de pesagem funcionavam como meio de subsistência para dezenas de famílias. Segundo os munícipes, muitos jovens — alguns em processo de reinserção social — encontraram nessa actividade informal uma alternativa, ainda que precária, à criminalidade.
Os moradores defendem que o encerramento das casas de pesagem deve ser acompanhado por políticas sociais de mitigação, sob pena de a medida resolver um problema e gerar outro ainda mais grave. A ausência de soluções como formação profissional, criação de emprego e programas de reintegração económica pode empurrar muitos jovens de volta à marginalização.
Na opinião dos munícipes do Kilamba, o grande desafio do Executivo não está apenas em proibir, mas em regular, fiscalizar e criar alternativas sustentáveis. Combater o vandalismo é considerado urgente, mas combater o desemprego, a fome e a falta de oportunidades é visto como igualmente prioritário. Para os cidadãos, só com esse equilíbrio será possível garantir segurança pública sem aprofundar a exclusão social.
