Moradores da comuna dos Ramiros, no Município de Belas, voltaram a manifestar descontentamento face à situação do fornecimento de energia eléctrica, denunciando a ausência de ligação directa à rede pública da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) e os elevados preços praticados por operadores privados.
Desta vez, o apelo parte, sobretudo, de residentes da zona do Cajueiros, que convidam publicamente o Administrador Municipal de Belas e o Governador Provincial de Luanda a deslocarem-se ao local para constatar a realidade vivida pela população.
Segundo os moradores, apesar da existência de vários postos de transformação (PT) instalados na área, o fornecimento não é assegurado pela rede pública da ENDE, obrigando os cidadãos a recorrerem a sistemas privados com tarifas consideradas excessivas. “Temos muitos PT aqui, mas não temos energia pública, e o preço é muito caro”, afirmam.
As denúncias reforçam queixas anteriores de outras zonas do município, onde também foram reportados custos elevados, instabilidade no fornecimento e frequentes interrupções, afectando famílias, pequenos negócios e serviços essenciais.
Os residentes do Cajueiros consideram a situação injusta, sobretudo por se tratar de uma área com crescimento populacional significativo. Defendem que a integração na rede pública da ENDE permitiria maior controlo tarifário, estabilidade no abastecimento e alívio financeiro para as famílias.
Além do impacto económico, os moradores alertam para os prejuízos sociais decorrentes da situação, incluindo dificuldades na conservação de alimentos, no funcionamento de equipamentos eléctricos e no desenvolvimento de actividades comerciais.
A população apela às autoridades provinciais e municipais para que procedam a uma averiguação rigorosa da legalidade dos operadores, dos critérios de fixação dos preços e das condições técnicas de fornecimento, exigindo soluções estruturais que garantam energia regular, acessível e alinhada às orientações do Executivo.
Enquanto aguardam por respostas, os moradores dos Ramiros reafirmam que continuarão a fazer ouvir a sua voz até que a situação seja resolvida, defendendo que o acesso à energia eléctrica é um direito essencial para o desenvolvimento e a dignidade das comunidades.
