Moradores do Município de Belas manifestaram, nos últimos dias, expectativa e preocupação quanto à localização das cerca de 1.500 casas sociais anunciadas pelo Governo Provincial de Luanda, destinadas a famílias que vivem em zonas de risco da capital.
O questionamento surge na sequência do anúncio feito no sábado, 24, pelo governador provincial de Luanda, Luís Nunes, durante uma entrevista concedida no âmbito das celebrações dos 450 anos da fundação da cidade de Luanda, em que informou que as habitações serão construídas ainda este ano e destinadas, sobretudo, a famílias residentes em áreas vulneráveis como a Boavista e a Nova Marginal.
Segundo os munícipes de Belas, apesar de reconhecerem a importância da iniciativa, não foi esclarecido o local exacto onde as casas serão erguidas, o que tem gerado dúvidas e inquietações, principalmente entre famílias que vivem em zonas de risco no próprio município e que esperam ser contempladas pelo projecto.
“Queremos saber onde, concretamente, essas casas vão ser construídas e se Belas será um dos municípios beneficiados com terrenos e infra-estruturas adequadas”, afirmam alguns moradores, sublinhando que o município possui várias comunidades a viver em condições precárias, muitas delas expostas a riscos ambientais, falta de saneamento básico e carência de serviços sociais.
De acordo com o governador Luís Nunes, o projecto visa assegurar habitações condignas em zonas seguras e infra-estruturadas, permitindo a retirada célere de cidadãos que actualmente residem em áreas de elevada vulnerabilidade. O governante acrescentou ainda que o arranque das obras está previsto para o decurso de 2026, estando os projectos já inscritos no Orçamento da Província de Luanda, no âmbito do Projecto Integrado de Intervenção de Luanda (PIIL).
No mesmo anúncio, foi igualmente referido o início da construção de residências na denominada “Vila dos Kuduristas”, iniciativa que pretende conferir maior dignidade social aos artistas e fazedores do estilo musical kuduro.
Entretanto, os moradores de Belas defendem que haja maior clareza e comunicação pública por parte das autoridades, de modo a evitar especulações e garantir transparência no processo. Os munícipes pedem que o Governo Provincial e as administrações municipais esclareçam os critérios de selecção dos beneficiários, os locais exactos das obras e o calendário de execução, assegurando que as comunidades mais vulneráveis não fiquem de fora.
Para os cidadãos, a iniciativa representa uma oportunidade importante para melhorar as condições habitacionais na província, mas alertam que o sucesso do projecto dependerá de planeamento inclusivo, informação clara e acompanhamento permanente, para que as casas cheguem efectivamente a quem mais precisa.
