A nova proposta da situação salarial, apresentada pelo Sindicato de Professores do Ensino Superior, vai merecer uma reavaliação do Governo, garantiu, ontem, em Luanda, o secretário de Estado para o Ensino Superior.
Quanto à investigação científica e à formação contínua dos professores, disse que já foi elaborado um plano de financiamento, para dar consistência a esse processo.
Avançou que a questão do salário vai voltar a ser analisada na base de uma proposta do Sindicato, precisando a participação dos ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e o das Finanças, uma vez ser um assunto que transcende as competências do MESCTI.
Em relação à investigação científica, assegurou existirem duas importantes decisões tomadas, uma já em execução, que é o financiamento de programas de investigação via edital”, disse o secretário de Estado.
Por isso, Eugénio da Silva reconheceu que algumas reivindicações, apresentadas pelo Sindicato, ultrapassam as competências do sector do Ensino Superior.
O secretário de Estado reagia à greve dos professores do Ensino Superior público, iniciada, ontem, pelo facto do Sindicato sentir que a entidade patronal não satisfazer as reivindicações apresentadas.
A greve instalada, por tempo indeterminado, tem como base a não resolução de quatro pontos essenciais dos oitos constantes no caderno reivindicativo, dos quais a melhoria salarial, seguro de saúde, formação contínua e fundos para a investigação científica.
Pouca adesão à greve
Na ronda feita a uma série de Instituições do Ensino Superior (IES) públicas, a reportagem do Jornal de Angola registou uma espécie de divisão de opiniões entre os docentes.
Por isso, em várias faculdades constatou-se que muitos professores aderiram às salas de aula e leccionavam normalmente, enquanto uns poucos, estando nos estabelecimentos de ensino, não leccionavam.
No Campus Universitário da Universidade António Agostinho Neto (UAN), por exemplo, no período da manhã, algumas salas estavam cheias de estudantes e os professores trabalhavam com normalidade.
Mas, em função do anúncio da greve, nalgumas salas, apesar da presença dos professores, o número de alunos não passava dos 20 e umas poucas turmas estavam mesmo às moscas.
O estudante Egídio Victor, estudante do ensino superior, não tem dúvidas de que a greve vai prejudicar os estudantes.
“Podemos ter toda a matéria e os tópicos, mas, de qualquer forma, a paralisação das aulas em muito prejudica os estudantes”, disse Egídio Victor.
Em função dos transtornos que a greve possa causar, no Campus Universitário, os estudantes são unânimes em defender que as autoridades devem resolver o mais rápido possível as preocupações dos professores.
“Nós, os estudantes, também fazemos planos de vida em função dos anos de faculdade e não gostaríamos de viver o mesmo que se observou no ano académico, em que ficámos mais de dois meses sem aulas”, conclui Egídio Victor.
Na Faculdade de Economia da UAN, durante o período da manhã de ontem, era notável a presença massiva de estudantes, mas de poucos professores.
Mas, na Faculdade de Engenharia, o cenário era completamente contrário, uma vez que havia mais docentes a trabalhar que estudantes presentes na instituição.
O secretário-geral do Sindicato de Professores do Ensino Superior realçou que os quatro pontos acima referidos foram reivindicados por serem estruturantes e de grande importância para a melhoria da qualidade de ensino superior no país.
O ano lectivo 2022/2023 arrancou, oficialmente, no dia 3 deste mês. No ano passado, o Sindicato dos Professores do Ensino Superior já tinha levado a cabo uma greve, interpolada a 20 de Maio de 2022.
Além da greve que se observa no Ensino Superior, o país regista, igualmente, desde ontem, paralisações de enfermeiros do Hospital Geral de Luanda e dos técnicos da Procuradoria Geral da República (PGR).
