Pelo menos quatro, das várias farmácias particulares que funcionavam nos arredores do Hospital Municipal de Cacuaco e que serviam de base de aquisição de medicamentos aos pacientes internados na referida unidade sanitária foram, segunda-feira, encerradas, no âmbito de um inquérito que decorre sobre a má gestão da direcção do referido hospital, após denúncias feitas por utentes, segundo as quais eram obrigados a comprar os fármacos, ao invés de adquiri-los na farmácia interna.
O administrador municipal de Cacuaco, Auzílio Jacob, explicou que as referidas farmácias foram encerradas por falta de uma série de itens necessários para o funcionamento, quer no capítulo técnico-hospitalar, como na vertente administrativa e técnica de construção civil.
Acrescentou que as farmácias encerradas não dispunham de técnicos especializados e licenças para o exercício da actividade farmacêutica, apresentavam má conservação dos medicamentos e algumas vendiam remédios com prazo expirado.
Deu a conhecer que foi igualmente notória a inexistência de croquis de localização, de plantas das instalações e de documentos técnicos, de identificação de onde adquirem os medicamentos que vendiam, bem como a falta de tradução em língua portuguesa.
“Essas irregularidades fizeram com que a fiscalização mandasse encerrar compulsivamente as referidas farmácias, emitindo as multas correspondentes às infracções, tendo-se orientado aos proprietários para que, no prazo de 48 horas, apresentem a documentação que lhes foi solicitada, sob pena de se despoletar um processo que os leve aos órgãos judiciais”, disse o administrador.
De referir que as autoridades locais reuniram-se, segunda-feira, com a direcção do hospital, para abordar as irregularidades apuradas pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, e pela governadora de Luanda, Ana Paula de Carvalho, aquando da visita destas entidades, no último sábado.
A situação inquietou as autoridades, porquanto a prescrição médica, que devia ser da responsabilidade do corpo médico, era feita por enfermeiros, por via do que se considerou “papelinhos”, ao invés destes se limitarem a fazer a medicação.
Em função dessa gravidade dos factos, a Administração Municipal responsabilizou a direcção do hospital pela falta de fiscalização e avaliação dos incumprimentos das normas de procedimentos, que poderiam evitar que os enfermeiros pusessem em causa a imagem do Estado e da administração, assim como do próprio hospital.
A Administração Municipal de Cacuaco estabeleceu um prazo de 24 horas à direcção do Hospital Municipal, para que apresente o perfil de todos os membros do Conselho de Administração, com o objectivo de promover um acto administrativo que permita responsabilizar e nomear outro elenco, que esteja à altura das necessidades do hospital, segundo Auzílio Jacob.
