O Executivo angolano quer trabalhar com o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) na realização do Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) /2024 e na criação de um programa sobre dividendo demográfico, anunciou, terça-feira(1), em Luanda, o ministro da Economia e Planeamento (MEP), Mário Caetano João.
Em declarações à imprensa, depois da audiência à porta fechada, Mário Caetano João sublinhou que o Governo tem tudo delineado para a realização do Recenseamento Geral da População e Habitação.
“Estamos a correr contra o tempo para o Censo de 2024, mas temos tudo bem delineado e gostaríamos de envolver o Fundo neste processo para que possamos ter todas as garantias de estarmos a fazer os passos certos nos momentos certos”, frisou.
Em relação ao encontro, o ministro da Economia disse que foram vistos aspectos relacionados com os grandes objectivos do FNUAP, que é o de zero necessidades não satisfeitas, ligadas com o Planeamento Familiar, zero mortes maternas não previsíveis e zero violência contra as mulheres e meninas.
Segundo o ministro, com base nestes grandes objectivos, existe uma série de actividades envolvidas, principalmente com grande incidência sobre a Educação.
Mário Caetano João realçou que o país tem uma previsão de cerca de 700 mil pessoas que entram para o mercado de trabalho por ano.”Precisamos tirar o máximo de proveito desse dividendo demográfico e fazer com que estas pessoas que estão a entrar para o mercado de trabalho que, de facto, estejam a ajudar Angola a aumentar o seu PIB e no potencial da sua força de trabalho”, realçou.
Já o representante do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), em Angola, Mady Biaye, destacou que o encontro de cortesia abordou, igualmente, a violência baseada no género, práticas nocivas (casamentos infantis), necessidades não satisfeitas, informação adequada sobre os métodos e serviços que permitem fazer o planeamento familiar.
Fez saber que o FNUAP vai lançar o Relatório Mundial sobre o estado da população, com foco na gravidez não intencional, onde, em Angola, uma em cada três crianças começam a maternidade, ficando fora do Sistema de Ensino.
Mady Biaye disse que o FNUAP vai trabalhar com o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher na Agenda do Gé-nero, da Educação e Juventude e Desportos, com te-
máticas específicas.
Segundo o mesmo, nesta altura, a principal preocupação passa pelas questões da juventude e do emprego, por serem fundamentais para contribuir no processo de diversificação da economia.
Frisou que Angola tem potencialidades a serem exploradas no sector da Agricultura, onde os jovens devem trabalhar neste processo de revolução agrícola “para que o país possa avançar, sendo que o Estado deve criar condições, porque o maior empregador é o sector privado”.
O Ministério da Economia e Planeamento (MEP) é o Departamento Ministerial do Executivo responsável pela coordenação da política de população no país.
As projecções actuais apontam para 33.086.278 habitantes, 66% dos quais com menos de 25 anos.
Angola realizou, em 2014, o seu primeiro Recenseamento Geral da População e Habitação, depois da Independência, em 1975, tendo apurado o total de 25.789.024 habitantes, dos quais 6.945.386 residiam em Luanda.
