Um novo sistema de abastecimento de água, denominado “Quilonga”, vai ser construído na capital do país, anunciou, sexta-feira(7), em Luanda, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, durante assinatura dos autos de consignação e o lançamento da primeira pedra para a construção do projecto Bita, Sistema 4.
O projecto Bita, avaliado em 1,7 mil milhões dólares, a ser feito num prazo de três anos, vai beneficiar mais de três milhões de habitantes, com 170 mil novas ligações domiciliares no município de Belas, nos distritos de Quenguenda, Vila Verde, Cabolombo, Ramiros, Morro dos Veados e reforçar as zonas do Benfica e Camama.
Por outro lado, o projecto Quilonga, avaliado em USD 1,3 mil milhões, vai abranger cinco milhões de habitantes, num processo de captação a ser feito, também, no rio Kwanza, na proximidade do Bom Jesus.
“O conjunto de projectos a desenvolver em Luanda para os próximos cinco anos atingem um investimento global de 2,5 mil milhões de dólares. A meta do Executivo é para que, de facto, Luanda possa ter água de forma regular”, disse.
O sistema do Quilonga, explicou o ministro, vai garantir o abastecimento de água à zona Norte de Luanda, como Cacuaco, Viana, Icolo e Bengo, bairros como Mulenvos de Baixo, Belo Monte, 30, Cepa do Bengo, a zona do Zango, incluindo a centralidade 8 mil, o Novo Aeroporto, a Cidade Universitária e a Zona Económica Especial. “O foco são as localidades mais vulneráveis, quanto ao abastecimento regular de água”.
O projecto Bita, adiantou, é insuficiente para cobrir a carência existente em Luanda. “Após a conclusão, teremos dez milhões de habitantes favorecidas, mas este número não cobre o défice. Com o Quilonga, poderemos suplantar o défice existente e o futuro”, explicou, acrescentando que esforços estão a ser feitos para que o projecto seja realizado o mais rápido, nos próximos meses, de forma que seja concluído mais ou menos no prazo do sistema Bita.
Quanto ao projecto Quilonga, o ministro acrescentou que no momento está a ser fechado o financiamento e vai ter a capacidade de 500 mil metros cúbicos, o dobro do armazenamento do sistema 4, que tem 259.200 metros cúbicos.
João Baptista Borges referiu que o projecto Bita é o primeiro dos dois grandes projectos que o Presidente da República anunciou como prioritários para a melhoria do abastecimento de água em Luanda.
“Luanda tem que conhecer melhores dias em relação ao abastecimento de água, uma das principais reclamações da população. Há hoje um défice significativo. As soluções são a construção do Bita, em carteira há anos e agora com ‘luz verde’, num financiamento do Banco Mundial. Todas as condições estão reunidas para que a obra comece a ser executada o mais rápido possível”, garantiu.
Recuperação da capacidade
Enquanto os dois projectos são construídos e como forma de minimizar os problemas maiores no abastecimento de água, o ministro anunciou a recuperação da capacidade de determinados sistemas, já existentes, mas no momento inoperacional, com mais de 45 mil metros cúbicos, capazes de abastecer mais de 450 mil pessoas.
A recuperação da capacidade nestes sistemas, avançou, vai ser feito, sobretudo, nos sistemas de Kifangondo e Luanda Sudoeste. “Estamos convencidos que com estas acções, vamos reverter o quadro de abastecimento de água de Luanda. O objectivo é eliminar a circulação de camiões cisternas, que vendem água a um preço muito alto, ao ponto de não beneficiar as famílias mais carenciadas”, frisou.
Planos a nível do país
A nível do país, explicou João Baptista Borges, os grandes projectos centram-se sobretudo nas capitais de províncias, tendo como grande preocupação neste momento, a cidade de Ndalatando, no Cuanza Norte, que tem um sistema que está a ser construído também com o financiamento do Banco Mundial, e Saurimo, na Lunda-Sul.
Nas restantes capitais das províncias, acrescentou, foram construídos sistemas de abastecimentos de água, para atender o universo populacional actual e o previsto. “A preocupação actual em algumas cidades capitais é a expansão das redes de distribuição”, disse, acrescentando que há investimentos aprovados, alguns deles já em curso, para este propósito.
“As principais cidades em foco são as do Uíge, Lubango e Menongue, que cresceram bastante. Há também um outro programa para as sedes municipais, sem sistema de abastecimento de água, assim como um outro visando reabilitar e redimensionar estes projectos”, apontou.
Energia eléctrica
Em relação a energia eléctrica que viu melhorias no fornecimento, o ministro explicou que o problema de água é o mesmo que houve com o da electricidade, cujo crescimento da população não tem sido acompanhado com o das infra-estruturas. “O investimento feito até agora para a água, foi inferior àquilo que foi o crescimento da população”.
O acto de lançamento da pedra para a construção do projecto Bita foi testemunhado pelo secretário de Estado para o Tesouro, o presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Águas de Luanda, representantes do Banco Mundial e representantes das embaixadas da França e Inglaterra.
Governador Manuel Homem considera a iniciativa positiva
O governador de Luanda, Manuel Homem, que também participou do acto de lançamento da primeira pedra para a construção do sistema 4 do projecto Bita, considerou a iniciativa bem-vinda, por ajudar a suprir uma das grandes preocupações das populações, o acesso à água potável.
“Este programa vai dar resposta às necessidades das populações do município de Belas e também criar condições, para maior qualidade de serviço no abastecimento de água aos municípios, como Talatona e Viana”, adiantou.
Luanda, continuou, vai ganhar muito com as infra-estruturas. “Há um programa do Governo da Província, em estreita colaboração com o Ministério da Energia e Águas, para encontrar soluções, que ajudem a minimizar a procura e a oferta que temos de assegurar às populações”.
As pessoas, reforçou, estão ávidas para ter maior acesso a água. “Vamos trabalhar para identificar que soluções emergenciais podem ser adicionadas enquanto essas de grande investimento estão a ser feitas”, concluiu.
Em representação da ministra das Finanças, o secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Otoniel Lobo Carvalho dos Santos, ao referir-se sobre o apoio do Banco Mundial e do Banco BPI France, para o projecto, referiu que ao longo dos próximos 15 anos, o Executivo vai ter a responsabilidade, do ponto de vista financeiro, sobre o projecto Bita, cujo impacto vai ser positivo na vida das populações. “Vale o esforço. Toda a dívida bem feita, é um investimento para o futuro”.
Valências do projecto
O Bita é um sistema de abastecimento de água integrado, composto por captação que fica a seis quilómetros de distância de onde foi lançada a pedra, rio Kwanza. O projecto vai incluir, também, o tratamento, adução e distribuição da água.
Na primeira fase, vai ter a capacidade de 259 mil e 200 metros cúbicos, dia, ou seja, 259 mil milhões de litros de água serão extraídos. O projecto terá também 100 milhões litros de água de armazenamento, em centros de distribuição, com 66 quilómetros de condutas adutoras e 3 mil e 700 quilómetros de rede de distribuição.
