Representantes de 24 países africanos pediram aos países desenvolvidos que cumpram os compromissos financeiros para ajudar o continente a adaptar-se às alterações climáticas antes da Conferência Mundial do Clima da ONU (COP27), programada para novembro, no Egito.
“Pedimos aos países desenvolvidos que cumpram as suas promessas de financiamento climático e de desenvolvimento e cumpram os seus compromissos de duplicar o financiamento para a transição verde, especialmente para África”, salientaram os líderes africanos no Cairo, durante uma reunião preparatória sobre alterações climáticas.
Por outro lado, as “florestas da Bacia do Congo” são, com a Amazónia, o principal pulmão verde do planeta, que “captura carbono”.
O enviado especial dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry, referiu a representantes de países africanos na quarta-feira que esperava que a COP27 pudesse libertar “a energia que é necessária para mudar o mundo”, admitindo problemas.
A reunião de três dias, que decorreu na “nova capital” do Egito, no deserto a 50 quilómetros do Cairo, seguiu-se a uma cimeira, na segunda-feira, nos Países Baixos, destinada a apoiar África perante as alterações climáticas.
O Presidente da União Africana (UA) e chefe de Estado do Senegal, Macky Sall, assinalou “com amargura a ausência de dirigentes dos países industrializados” em Roterdão.
A COP27, agendada para novembro no Egito, pretende “levar a voz dos líderes africanos, de forma a mobilizar mais apoios internacionais para uma recuperação ecológica de África”, segundo a Comissão Económica das Nações Unidas para África.
O evento deverá também analisar o financiamento destinado a ajudar os países mais vulneráveis a reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa.
Os líderes africanos pediram no Cairo que “seja reduzido o custo dos empréstimos verdes” citando “o papel decisivo das organizações financeiras internacionais e dos bancos multilaterais de desenvolvimento” nesta área.
Para o Egito, este fórum terá permitido para “preparar o terreno” para o “dia das finanças”, que terá lugar durante a COP27 e que é organizado pelo ministro das Finanças egípcio, salientou Rania al-Mashat, ministra da Cooperação Internacional, durante a cerimónia de encerramento do fórum.
O país de 103 milhões de habitantes, cuja costa norte está ameaçada pela subida das águas e que vê os seus corais morrerem com o aquecimento do mar Vermelho, já está a multiplicar projetos para atingir sua meta de 42% da sua eletricidade proveniente de energia renovável até 2035.
Para os defensores de direitos humanos, por outro lado, a atribuição da COP27 ao Egito é percebida como uma “recompensa pelo poder de repressão”.
