Munícipes do bairro Povoado, na comuna da Vila Flor, município do Kilamba, denunciam alegadas irregularidades no fornecimento de energia eléctrica, apontando cobranças elevadas e constantes falhas no abastecimento por parte de uma empresa privada responsável pela distribuição local.
Segundo os moradores, cada consumidor paga uma taxa mensal de 8.000 kwanzas, valor que pode subir para 8.500 kwanzas em caso de atraso superior a um mês. Os valores, afirmam, estão acima das tarifas praticadas pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), entidade pública responsável pela distribuição de energia no país.
Apesar dos pagamentos regulares, os munícipes relatam que o fornecimento é instável, com interrupções frequentes que chegam a ocorrer dois a três dias por semana, prejudicando famílias e pequenos negócios. Além disso, denunciam que a energia fornecida apresenta baixa tensão, danificando electrodomésticos e comprometendo actividades comerciais.
Outra preocupação levantada pela comunidade é o facto de existir uma linha de energia da ENDE que atravessa a zona em direcção ao município de Calumbo (Icolo e Bengo), sem que o bairro Povoado beneficie directamente do fornecimento público. “Por que razão até agora o Governo não integra o bairro na rede directa da ENDE?”, questionam os moradores.
A população recorda que, na província do Icolo e Bengo, o governador Auxílio Jacob determinou a remoção de postos de transformação (PT) privados que praticavam preços considerados elevados, reforçando o controlo estatal sobre o sector e defendendo tarifas mais acessíveis. Para os moradores da Vila Flor, o exemplo demonstra que “é possível intervir quando há vontade administrativa”.
No Kilamba, entretanto, os cidadãos questionam a ausência de medidas semelhantes e pedem a intervenção do Administrador Municipal, Arlindo Francisco Vieira dos Santos, bem como do Administrador da Comuna da Vila Flor, Nelson Fernandes Afonso Rita, para averiguar a situação e proteger os interesses da população.
Alguns moradores afirmam que a falta de respostas concretas tem alimentado suspeitas populares sobre eventuais relações de conveniência entre responsáveis administrativos e empresas privadas de distribuição, percepção que, defendem, só poderá ser esclarecida com fiscalização rigorosa e transparência institucional.
Recorde-se que o Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, afirmou recentemente que “ter um PT privado não é ilegal; ilegal é solicitá-lo para um fim e usá-lo para outro”, sublinhando a necessidade de maior fiscalização sobre a actuação das entidades privadas no sector.
Face ao cenário, os munícipes exigem que as autoridades competentes apurem a legalidade dos contratos, os critérios de fixação das tarifas e as razões das constantes falhas no abastecimento, defendendo que a actual situação “não é saudável nem favorável à população”.
A comunidade espera que haja uma intervenção célere, capaz de garantir um serviço de energia eléctrica regular, justo e alinhado às orientações do Executivo, em benefício dos cidadãos da comuna da Vila Flor e do município do Kilamba em geral.
