A crescente onda de assaltos na Centralidade do Kilamba ganhou novos contornos após declarações polémicas feitas por um cidadão conhecido pelo nome ou alcunha de “5 Letras – Líder da Criminal Family”, um antigo criminoso de alta periculosidade, durante a sua participação no podcast do jornal O Crime. No referido trecho da entrevista, o declarante afirma que alguns roubos registados na Cidade do Kilamba estariam a ser praticados com a conivência e anuência de elementos da Polícia Nacional de Angola, uma acusação considerada extremamente grave pelos moradores.
As declarações caíram como uma bomba entre os munícipes do Kilamba, que há vários anos vêm denunciando repetidos casos de assaltos na via pública, em residências e em viaturas, sem que, segundo afirmam, haja uma resposta eficaz e duradoura por parte das autoridades competentes. A situação tem alimentado um clima de medo e insegurança, sobretudo no período nocturno.
Apesar da indignação, os moradores sublinham que não pretendem generalizar nem desacreditar a Polícia Nacional. Pelo contrário, recordam que desde 2014 existe uma relação de proximidade e cooperação entre a sociedade civil do Kilamba e os efectivos policiais, construída com base no diálogo comunitário e no trabalho conjunto para a manutenção da ordem pública.
No entanto, as recentes alegações levantaram desconfiança e preocupação. Para os munícipes, o silêncio institucional perante uma acusação dessa dimensão pode agravar ainda mais a crise de confiança. “Não queremos desconfiar da nossa polícia, mas precisamos de respostas claras”, referem moradores, que exigem um pronunciamento oficial urgente das autoridades policiais e judiciais.
Os residentes defendem que, caso as declarações do ex-criminoso tenham fundamento, é imperioso que haja investigação rigorosa, apuramento de responsabilidades e medidas exemplares. Caso contrário, esperam igualmente um esclarecimento público que reponha a verdade e tranquilize a população.
O sentimento geral no Kilamba é de que a insegurança atingiu níveis alarmantes e que este novo episódio reforça a necessidade de acções concretas, transparência institucional e reforço do policiamento, para que a Centralidade deixe de ser palco recorrente de assaltos e volte a ser um espaço seguro para se viver.
