Moradores da Cidade do Kilamba denunciaram alegadas dificuldades no acesso directo ao Gabinete do Administrador Municipal, Arlindo Francisco Vieira dos Santos, após um episódio envolvendo a tentativa de encaminhamento social de uma menor vítima de agressão.
Segundo o relato de um membro da sociedade civil, no passado dia 18 de Dezembro de 2025, por volta das 11h00, deslocou-se à Administração Municipal do Kilamba acompanhado da jovem Bruna Caldeira, de 17 anos, vítima de uma agressão física amplamente divulgada nas redes sociais, com o objectivo de solicitar apoio institucional, sobretudo na área social, psicológica e educacional.
De acordo com a denúncia, ao chegar à Administração foi informado pela secretaria de que o Administrador não se encontrava no edifício. No entanto, após mais de duas horas de espera, o denunciante afirma ter constatado que o Administrador esteve todo o tempo no seu gabinete, tendo inclusive observado a sua presença, enquanto outras pessoas eram atendidas.
O caso, segundo o relato, ultrapassava a esfera da iniciativa individual, tratando-se de uma situação de responsabilidade social do Estado, uma vez que a jovem encontra-se fora do sistema de ensino, vive em situação familiar vulnerável e necessita de acompanhamento psicológico especializado.
Após insistência, o atendimento foi encaminhado ao Director do Gabinete do Administrador, Dr. Bernardo, mas o encontro foi interrompido poucos minutos depois, sob orientação de que todos os assuntos passassem a ser tratados exclusivamente por escrito, sem que, segundo o denunciante, fossem accionados de imediato os serviços municipais competentes, como a Direcção Municipal da Educação ou da Acção Social.
A situação gerou indignação, levando o denunciante a considerar que o Administrador Municipal “não recebe munícipes no seu gabinete, salvo por conveniência”, situação que, segundo afirma, já teria ocorrido em outras tentativas de diálogo sobre problemas sociais, juvenis, patrimoniais e estruturantes da Cidade do Kilamba.
Perante a ausência de resposta da Administração Municipal, o caso foi encaminhado a outras entidades, incluindo dirigentes do MPLA, órgãos policiais e parceiros da sociedade civil, que acabaram por garantir apoio psicológico, bolsas de estudo para o ensino médio e superior, e assistência jurídica para a recuperação de documentos escolares da jovem.
O denunciante refere ainda que, no dia 30 de Dezembro de 2025, levou o caso ao Governo Provincial de Luanda, onde foi recebido pela Direcção do Gabinete do Vice-Governador para o Sector Político e Social, tendo ficado agendada uma nova reunião para abordar os problemas sociais e institucionais enfrentados no município.
O episódio reacende o debate sobre a proximidade entre a Administração Municipal e os munícipes, bem como sobre o papel das autoridades locais na resposta célere a casos sociais urgentes, sobretudo quando envolvem menores em situação de vulnerabilidade.
Até ao momento, não houve pronunciamento público da Administração Municipal do Kilamba sobre as acusações.
