Os moradores da Centralidade do Kilamba estão indignados após a EPAL anunciar uma dívida de cerca de 500 milhões de kwanzas referente ao consumo de água em 2024. Segundo a Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), o valor é resultado da falta de pagamento por parte de muitos moradores que têm ignorado os avisos e vandalizado os equipamentos de abastecimento de água.
O Presidente do Conselho de Administração da EPAL, Adão Silva, explicou que além dos valores em dívida, os atos de vandalismo incluem a destruição de variadores de frequência, disjuntores, conectores, cabos de potência, relés, barramentos de cobre e inversores elétricos, fatores que têm prejudicado a infraestrutura de fornecimento. Ele destacou também que há registros de ligações clandestinas, o que agrava ainda mais a situação.
Entretanto, os moradores têm uma visão diferente. Para muitos, a gestão comercial da EPAL tem sido ineficaz e desorganizada, permitindo que situações como essa se arrastem. Em entrevista ao KILAMBA 24 HORAS, alguns moradores apontam que o problema pode estar relacionado com o fato de que muitos técnicos da EPAL aceitam subornos — conhecidos como “gasosa” — para evitar o corte do fornecimento de água a quem tem dívidas. “Já vi vários técnicos da EPAL virem ao meu prédio e aceitarem dinheiro para não cortar a água, mesmo com moradores devendo por mais de três meses”, denunciou um morador.
Outros moradores acreditam que a dívida não reflete a realidade, pois a EPAL, ao cortar o fornecimento de água dos devedores, não deveria ter esse volume de inadimplência. “Não diria que há ameaça de cortes, diria que eles efetivamente cortam quando a dívida ultrapassa dois meses, mas ainda assim surgem esses valores exorbitantes. Algo está errado”, afirmou outro residente.
