A Empresa Gestora de Terrenos Infra-estruturados (EGTI-EP) e parceiros privados pretendem, ainda este ano, avançar com um financiamento de cerca de 19 mil milhões de kwanzas de espaços na Centralidade do Kilamba, província de Luanda.
Os dados foram avançados, sábado, na capital do país pelo director do Gabinete de Estudos e Investimentos da Estratégia Urbana da EGTI
Miguel Capitão falava sobre as experiências da empresa na gestão de terrenos infra-estruturados, na conferência sobre o sector imobiliário, organizado em alusão aos 25 anos de existência da IMOGESTIN.
Realçou que além deste futuro financiamento, está ainda em carteiras vários projectos para os terrenos da Centralidade do Kilamba, alguns dos quais já em curso.
Um dos projectos em curso, segundo avançou Miguel Capitão, é o da infra-estruturação de quatro microlotes por via do modelo de compensação, numa área de 79 hectares.
Quanto ao montante da sua execução, realçou, está orçado em mais de 14 mil milhões de kwanzas, volume disponível da EGTI para a infra-estruturação na Cidade do Kilamba, por via das permutas e compensação.
“Neste momento, estamos a trabalhar para que, nos próximos meses, possamos materializar este projecto e nele serão feitos várias infra-estruturas, como vias de comunicação, redes de abastecimento de água, redes de drenagem e de águas fluviais, bem como as redes eléctricas de iluminação pública e telecomunicações”, garantiu Miguel Capitão.
Por outro lado, ainda na Centralidade do Kilamba, por via do modelo urbanístico e Investimento colectivo, Miguel Capitão avançou que também está em carteira processos de infra-estuturação numa área de 14 hectares, com um valor orçado acima de dois milhões de kwanzas. A execução é dentro do mesmo nível de infra-estruturas.”Com estes projectos esperamos que consigamos diversificar as várias formas de financiarmos as nossas infra-estruturas”, frisou.
O gestor destacou que, no mesmo local, estão também previstos, para este ano, serviços de infra-estrutura, mas já com fundos de uma empresa privada.
A área por infra-estruturar, destacou, é de cerca de 22 hectares, diferente dos outros por ser financiada por fundos próprios.
Iniciativa privada
Miguel Capitão garantiu que o projecto de iniciativa privada já está em curso, com um financiamento em 1.971 milhões de kwanzas.
“Este mesmo terreno depois de infra-estruturado, o imóvel valoriza significativamente, passando para um valor acima de seis mil milhões de kwanzas”, afirmou. Disse que as infra-estruturas garantem a valorização dos imóveis, do património nacional e contribuem para que a economia receba os reflexos dessa actividade.
Quanto ao balanço das actividades no último ano, a Empresa Gestora de Terrenos Infra-estruturados realizou, nos períodos de 2022 a meados do corrente ano, várias actividades que necessitam de investimentos próprios. A título de exemplo, o volume de investimento por capitais próprios da EGTI registado, em 2022 e meados de 2023, foi de mais de 3.963 milhões de kwanzas.
Este montante, segundo avançou Miguel capitão, foi utilizado nos terrenos da Centralidade do Sequele, no programa desenvolvimento para as zungueiras, projecto este já concluído com a entrega de terrenos as beneficiadas.
Com relação aos principais desafios da EGTI, a empresa pretende adquirir financiamento externo por via dos vários programas já existentes, projectos estes, ligados à expansão das cidades para que se possa ter mais uma alternativa de investimentos.
Auto-construção dirigida vai ser lançada na próxima semana
A primeira pedra para o programa de auto-construção dirigida, aprovada, no último mês de Maio, pelo Conselho de Ministros, vai ser lançada na próxima semana, na província do Bié.
Emdeclaração à imprensa, à margem da conferência, o consultor económico e financeiro do ministro das Obras Públicas, Augusto Fernandes, garantiu que para a efectivação do processo se encontram no Bié técnicos do Ministério, a trabalhar para a identificação de terrenos.
A primeira pedra será lançada para os cidadãos poderem ter acesso aos lotes infra-estruturados, loteados e ordenados prontos para que os mesmos consigam erguer a própria residência de forma ordenada.
Para a auto-construção dirigida, numa primeira fase, prevê-se a infra-estruturação de 900 lotes até 2027, e quatro milhões de lotes até 2050.
Para Augusto Fernandes, com este projecto, o Executivo pretende que os cidadãos tenham habitações mais sustentáveis, integradas e condignas.
“Aqui, os cidadãos vão construir as próprias casas com a assistência e supervisão dos órgãos do Governo, bem como haverá alguns incentivos para que os mesmos ergam as residências”, frisou.
O economista destacou que o Governo vai criar um regulamento de acesso aos lotes, processo que não exclui qualquer classe social.
Para a cedência dos terrenos, por um lado, haverá critérios do Estado social e o segundo critério estará relacionado ao rendimento do beneficiário ou das famílias. Outros critérios serão o número de famílias e a incapacidade financeira de cada pessoa.
“Os actores sociais estão em primeiro lugar porque o Estado preocupa-se com os cidadãos mais vulneráveis, e estes serão salvaguardados com uma cota de 10 por cento, que o Governo irá gerir para fazer a distribuição dentro daquilo que são os mecanismo que julgar necessário”, adiantou.
Contributo do sector imobiliário no PIB
A presidente do Conselho de Administração da IMOGESTIN, Branca do Espírito Santo, almeja que a actividade imobiliária seja um sector que contribua, futuramente, no Produto Interno Bruto (PIB) do país como os outros sectores de actividades.
Branca do Espírito Santo proferiu o discurso de abertura da Conferência, que decorreu sob o lema “O Papel do Sector Imobiliário na Diversificação da Economia”, sublinhou que sem o sector imobiliário estar incluindo no PIB, não se pode perceber o principal contributo do mercado na economia, embora, destacou, se percebe que existem casas construídas, escritórios, fábricas, plataformas logísticas, dados que não estão reflectidos nas contas nacionais.
Quando se fala em Produto Interno Bruto (PIB), explicou, a estatística dos países declinam a estrutura do PIB de cada Estado e, no caso específico da estrutura do PIB, não consta a actividade imobiliária e as actividades são várias como o caso das indústrias extractivas, agricultura, pescas, entre outros sectores de actividade, mas o sector imobiliário ainda não consta.
Por um lado, as habitações, ao serem erguidas, vão ser necessário a inclusão de materiais de construção, projectistas, manutenção, entre outros serviços que são considerados todos elas actividades económicas, que quantificadas, se conseguia perceber se participam no PIB com uma certa percentagem.
“Temos a esperança de que um dia venha a constar, porque é um dado importante para percebermos realmente a importância que ele traz do sector na economia nacional”, frisou.
Branca do Espírito Santo destacou que, actualmente, existem muitas construções habitacionais, escritórios, cedência de terrenos aos cidadãos. Logo, no caso específico da IMOGESTIN, contribui para a diversificação da economia ao construir várias habitações e urbanização.
